Mário Gerson Da Redação
A MÁSCARA
A MÁSCARA
Foi no ano de 1999 que surgiu a Companhia A Máscara (e não Máscara, somente), como orienta Tony Silva, uma das fundadoras, ao revelar o início do grupo. "A convite da Petrobras fomos nos apresentar em alguns locais da empresa e eles gostaram do nosso trabalho. Então, desde aquele período que a Petrobras é a nossa parceira", diz, com alegria e orgulho, Tony, ao referir-se ao início de tudo. Com um início, digamos, com o pé direito, a Cia. A Máscara foi se consolidando. "Daí que nós também fizemos parcerias com outras empresas, sempre com esquetes sobre temas de segurança no trabalho, trânsito e prevenção contra acidentes. Nesse período, fizemos a esquete É melhor prevenir do que remediar, que foi um grande sucesso", revela a atriz.Segundo Tony, antes de se chamar A Máscara, o grupo poderia ter sido fundado com o seguinte e sugestivo nome de: Eu comigo mesma. Mas não vingou. "Chegou Damásio e nós pensamos em outro nome. Depois de uma pesquisa, descobrimos que existia um grupo chamado Máscara de Teatro. Resolvemos diferenciar o nosso: A Máscara. Somos A Máscara", brinca a atriz, que durante dez anos de Cia. A Máscara já apresentou, com o grupo, mais de 30 esquetes.Um dos desafios do Cia. foi montar, em 2005, um espetáculo ousado, com um texto que atravessou gerações: Medeia. "Ele sempre foi um texto ousado, pois é um texto antigo, denso, reflexivo e ao mesmo tempo pesado, como se diz. Apesar de tudo, um texto atual, de uma verdadeira crítica à sociedade. Montá-lo com apenas oito pessoas, realmente, foi uma grande ousadia nossa", frisa.
DIFICULDADES, QUEM NÃO TEM? - Para a atriz, hoje uma das maiores dificuldades do grupo (e de vários outros do município) é a falta do Prêmio Fomento às Artes Cênicas. "É uma pena que o Prêmio Fomento tenha deixado de existir. Ele permitia que os grupos montassem seus espetáculos e tivessem sempre em atividade. Não sei até que ponto essa chamada Lei de Cultura beneficia realmente a classe artística. Mossoró é considerada uma cidade cultural, mas não temos subsídios para montarmos espetáculos", critica, ao se referir à extinção do Prêmio Fomento (da PMM).
DIFICULDADES, QUEM NÃO TEM? - Para a atriz, hoje uma das maiores dificuldades do grupo (e de vários outros do município) é a falta do Prêmio Fomento às Artes Cênicas. "É uma pena que o Prêmio Fomento tenha deixado de existir. Ele permitia que os grupos montassem seus espetáculos e tivessem sempre em atividade. Não sei até que ponto essa chamada Lei de Cultura beneficia realmente a classe artística. Mossoró é considerada uma cidade cultural, mas não temos subsídios para montarmos espetáculos", critica, ao se referir à extinção do Prêmio Fomento (da PMM).
ESPETÁCULOS - A Máscara possui, em seu rol de apresentações, os espetáculos A Viagem de um Barquinho, com direção de Marcos Leonardo, Aurora da Minha Vida, Medeia, um dos sucessos do grupo, que passou três anos em cartaz e o espetáculo Deus Danado (texto de João Denys), um dos que deu notoriedade à Cia., levando-a a São Paulo. "Passamos 45 dias em São Paulo, no Sesc da Avenida Paulista. Tínhamos apresentações às sextas, sábados e domingos. Houve um momento em que não tinha mais lugares. Foi uma experiência enriquecedora. Tivemos nosso trabalho divulgado em várias revistas, jornais e informativos culturais. A Revista Bravo enviou repórter e tivemos até duas estrelinhas de um crítico. Foi muito bom", destaca Tony, ressaltando que o grupo passou por momentos delicados, antes de se apresentar em São Paulo. "Nós fomos, com muita dificuldade, para Curitiba, com um patrocínio de última hora da Prefeitura Municipal, através da Fundação de Cultura, que à época tinha Gonzaga Chimbinho como presidente. Chegando lá, tivemos a sorte de projetarmos o espetáculo e conseguimos esse contrato de apresentação", complementa Tony.Para ela, Deus Danado (com texto de João Denys) está sendo um momento importante para A Máscara. "Procuramos fazer um espetáculo diferenciado, com apenas dois atores e parece que conseguimos. Esse é um ponto em que, destaco, possuímos peculiaridades. Temos um espetáculo fácil de ser carregado, levado para qualquer lugar e, ao mesmo tempo, bonito", fala, com naturalidade, a atriz.Atualmente, o grupo está inscrito em três projetos. O primeiro diz respeito ao Fundo dos Direitos Difusos da PMM, que possibilitará à Cia. apresentar espetáculos e promover oficinas em várias partes da cidade. O segundo faz parte da Fundação José Augusto, é o Chico Vila, que permitirá a apresentação de espetáculos em seis cidades do Estado, quatro delas indicadas pelo grupo e as outras duas pela própria JFA.Já o terceiro é o Miriam Muniz, da Funarte, que levará a trupe a cidades que tenham movimentos teatrais. "Seguindo o padrão dos demais, também faremos espetáculos e oficinas de iniciação teatral",
comenta Tony Silva.30 anos de teatro e muitos espetáculosTony Silva é figura conhecida no mundo teatral do Rio Grande do Norte (velha, não, pelo contrário, parece ter mais forças para outras jornadas). Pretende apresentar mais espetáculos, além de montar outros. "Apesar das facilidades com a condução das luzes em Deus Danado, tudo estando à nossa disposição, pensamos em montar um espetáculo em que tenhamos mais ingredientes. No entanto, ainda não definimos nada", frisa.De acordo com ela, a nova produção da Companhia A Máscara de Teatro será para fazer rir e, ao mesmo tempo, pensar. Nada de besteirol. "Queremos fazer rir, com o novo espetáculo, mas também pensar", reforça. "Estamos lendo outras coisas, fora do teatro, pensando noutros mercados e públicos", comenta.Para a atriz, apesar de tudo, a cidade oferece um bom campo de trabalho. "Mossoró, hoje, é diferente de 30 anos atrás. A Uern possui o Festuern. É um campo que se abre para os atores. E não só eles, vale ressaltar que o teatro também engloba outras profissões, como coreógrafos, cenógrafos, maquiadores, controlistas e muitas outras atividades estão relacionadas a ele", frisa.Para Tony, a cidade mudou, mas as casas de teatro precisam ser mantidas. "Há muitas casas que precisam ser mantidas. O Dix-huit Rosado está pulsando porque tem artistas dentro... nós crescemos muito em dez anos, temos a ideia do que seja bom, em termos de arte. As pessoas nos veem na rua e nos reconhecem como atrizes, atores, artistas... antes, não era assim. Antes, para falar a verdade, nem eu mesma sabia o que era cachê. Meu primeiro dinheiro, como se diz, ganhei com a apresentação de um espetáculo chamado Tony e Dany, para matar de rir, que teve a direção de Gustavo Rosado. Apresentamos no Caiçara. Limpamos o prédio e tiramos um monte de morcegos mortos de lá. Depois, nos utilizamos de umas cadeiras da Antártica... sempre com casa cheia", relembra, com certa nostalgia. "Hoje, temos grupos que fazem um bom trabalho, que estão despontando e uma comunidade artística séria", ressalta.Com 30 anos de carreira, Tony Silva tem convicção de que "não é o ator que escolhe o teatro, é o teatro que o escolhe. Depois de um tempo, isso se torna uma doação, uma dependência, uma forma de viver e ver o mundo. Conversamos sobre teatro, pensamos em teatro, vivemos o teatro", finaliza.
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