quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A Calçada




1. Calçada
Faixa destinada ao trânsito de animais e pedestres, com largura entre 2,50 - 3,00m, livre de obstáculos, localizada entre a linha de construção do imóvel e a faixa de rolamento de veículos, com piso confeccionado em pedra portuguesa, grama, cimento ou outro material antiderrapante.
2. Calçada
É parte da via, normalmente segregada e em nível diferente, não destinada à circulação de veículos.
3. Calçada   
Espaço onde circulam a senhora de idade, a mãe e seu bebe no inicio da manhã para tomar banho de sol e fortalecer os ossos. Espaço favorito das fofoqueiras de plantão, onde é possível observar a vida alheia e esquecer a própria. Por volta das cinco da tarde os bares periféricos começam a ocupar o espaço com suas cadeiras e som. Por volta das sete e meia outras cadeiras ocupam o espaço é a vez dos namoros de calçada, conversas, brigas, juras eternas de felicidade. Logo adiante alguns senhores circulam a ultima rodada da partida de dominó.
4. Calçada
Espaço destinado a grupos de teatro, eles ocupam esta faixa urbana a partir das seis da noite e começam a conversar sobre tudo, quem ficou doente, quem traiu quem na festa passada, o que se fazia a vinte ou trinta anos atrás, por que não avançamos nas pesquisas, onde esta o publico, os cachês atrasados de sempre, as mudanças de humor de um e outro durante as temporadas, quando será a próxima comemoração da comemoração comemorativa. E por ai segue a noite ou ate o ultimo atrasado a chegar pedir para sair primeiro da reunião.



Observando todo esse movimento fica a impressão de um vazio, na calçada estamos nus, desprotegidos, provindos de influencias externas, não aprofundamos nossa conexão com o outro, não experimentamos as possibilidades de se trabalhar em grupo. Simplesmente chegamos carregados de informações do dia, preenchemos um circulo e disputamos a atenção de quem é mais necessidade de misericórdia.


Ainda na introdução do livro Técnica da Representação Teatral (Stella Adler) fico com essa fala que estimula a discursão do nosso fazer “Atuar é um trabalho obstinado, necessitando de atenção constante e de planejamento rigoroso. Não é algo para gênios. É para pessoas que trabalham passo a passo”. Mas para adquirir esse passo é importante desligar-se das frustações da vida cotidiana e embarca numa viagem de possibilidade, de entrega, de (re) conhecimento do Eu e do Outro. Assim Stella pontua novamente em sua introdução – O primeiro conceito que um ator precisa dominar é bem simples: atuar significa a eliminação de barreiras humanas. Ele deve derrubar as paredes entre si mesmo e os outros atores. Isso lhe dará uma sensação de liberdade no palco.  Ora para que acha o encantamento do ator para a plateia, será necessário ele encantar-se com as múltiplas vias que sua personagem possa percorrer e dividir essa sensação, sempre melhor noite após noite.

Afinal, o que eu quero com tudo isso?
Muito simples, fazer teatro é antes de qualquer coisa, saber observar o mundo e transformar suas informações em poesia.

4 comentários:

  1. Adoro quando você transmite palavras,,,

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  2. adorei!!! esse comparação entre caalçada efazer teatral é muito bem pensada pois os obstaculos é que faz a diferença entre os dois e ao mesmo tempo é uma identificação no ato de interpretar,quando as vizinhas sentam para conversar,pense é o texto,a calçada é o palco...e os vizinhos é a pláteia e assim faz-se o TEATRO.

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  3. essa calçada tem mil oportunidades, várias visões que podem ser postas e enriquecer ainda mais a história. basta observarmos e transformarmo o cotidiano.

    vamos decolar as ideias!

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