Já tem um tempo, alguns anos, que prometo começar a escrever neste blog, regularmente, informando as nossas aventuras,desventuras, sorrisos e lágrimas, mas sempre me foge a vontade, o animo. talvez por causa da minha criação, aprendi a ficar calado, não podia sair assim falando tudo o que se quer, de qualquer maneira. minha vó bem dizia: as palavras tem muita força e precisam de muito cuidado ao serem pronunciadas, ate mesmo para o bem.
ultimamente tenho acreditado cada vez mais nisto, algumas coisas que penso e falo, os anjos não perdem tempo e realizam seja a favor de mim ou de outro, começo a ficar feliz por ideias que tenho, que converso com os mais íntimos, quando não os faço outro faz. e parecer ser maravilho. mas nesta terra, neste país é melhor ter muito cuidado com o que chamamos de nossas ideias sempre alguém pensou, planejou e articulou antes de você e você sempre, ao que parece, simplesmente perde tempo em roubar os sonhos alheios. eu me pergunto meu deus, por que tanto ódio, tanta briga entre irmãos, comemos da mesma caça e no entanto sempre olhamos para o outro, nosso próximo como bruxos, que envenenam nossos caminhos de estradas douradas.
o que fazemos é arte, espetáculos de encantamento do ser, sonhar e fazer sonhar. um alguém que deseja e nos realizamos. construímos a cidadania de um ninguém. certa vez, fui ao estacionamento do teatro, fico emocionado com essa passagem, conversei um pouco com o vigia que relatou nunca ter entrado antes no teatro, na sala de espetáculo durante uma apresentação, mas naquela noite foi diferente, algo era apresentado e ele foi verificar o que era, o que chamava tanta gente para aquele espaço que ele protegia mas não consumia. então resolveu entrar, por trás, em mansos passos ate que parou, ouviu a musica, era clássica, não tinha um entendimento teórico, artístico mas tinha alma e ele por um instante, naquele espaço, no escuro cansado do dia, com poucas palavras que me banham os olhos de emoção disse: "eu, por um instante pesei que era gente, esqueci que era vigia,rapaz que coisa linda esse negocio de teatro". deste tempo pra cá. sempre penso nesta frase e no nosso papel como artista, como reconstrutores da cidadania, do sonho.
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