sexta-feira, 6 de abril de 2012

PÁSCOA E O TEATRO RELIGIOSO


Nesta época de reflexão sobre os atos cristãos, cabe entendermos como a arte proporciona uma aproximação e compreensão dos momentos vividos por Deus diante da representação teatral. Neste contexto surge o teatro religioso que era representado dentro das Igrejas, como os mistérios, os milagres e as moralidades. Mas também existiam uns cânticos, as laudes que não utilizavam o recinto dos templos.
Embora estes gêneros de teatro fossem mais desenvolvidos do que os primeiros esboços dos jograis, ainda se apoiavam muito mais na linguagem gestual do que na verbal (salvo as moralidades) e, nos primeiros tempos,   eram representados por membros do clero que usavam como veículo de expressão o latim. Os fiéis, se participavam, era como figurantes. Mas, pouco a pouco, a situação foi-se modificando, os atores passaram a ser gente do povo, o local de representação deixou de ser a igreja e a língua usada passou a ser a do país.
Vamos então ver em consistia cada um destes gêneros:

AS LAUDES
Este gênero de teatro religioso distingue-se de todos os outros por não ser inicialmente representado num palco, mas sim nas ruas, caminhos e campos, por onde o povo e os frades caminhavam. As laudes derivam dos “tropos”: diálogos, cânticos e rituais que eram realizados alternadamente entre o padre, o povo, e o coro nas missas nas Igrejas. Só que as laudes eram feitas sob a forma de procissão (uma espécie dos atuais romeirinhos) ou eram declamadas, dialogadas e recitadas em degraus, pórticos e outeiros. Os mistérios (também chamados dramas litúrgicos)
Estas representações tinham como tema principal as festividades religiosas descritas nas Sagradas Escrituras (Bíblia). O Natal, a Paixão e a Ressurreição, na Páscoa, eram alguns dos episódios mais frequentemente representados.

OS MILAGRES
Estas representações retratavam a vida dos servos de Deus (a Virgem, os Santos) e nelas, por vezes, apareciam as pessoas a quem os Santos ajudavam. Mas não se ficavam só por aqueles que eram citados nos Livros Sagrados, também podiam referir-se a personagens da época, o que constituía grande interesse para o público. Com o decorrer do tempo os milagres (ao contrário dos mistérios e das moralidades) não sofreram alterações e, quer o conteúdo, quer a forma de os representar mantiveram a sua forma original, o que levou ao seu abandono progressivo.

AS MORALIDADES
As moralidades são representações que se desenvolveram mais tarde do que os mistérios e os milagres. Tal como estes, estavam repletas de ensinamentos cristãos, mas tinham um caráter mais intelectual e, em vez de utilizar as personagens da Bíblia, serviam-se de figuras que personificavam defeitos, virtudes, acontecimentos e ações. Eram personagens alegóricas como, por exemplo, a Luxúria, a Avareza, a Guerra, o Trabalho, o Tempo, o Comércio, a Esperança, etc. As moralidades tinham sempre intenção didática, pretendiam transmitir lições morais e religiosas, e até, por vezes, políticas. Por isso, mais do que a mímica e a movimentação, mais do que o espetáculo que apela principalmente à vista, característico dos mistérios e milagres, as palavras são o mais importante.


Adaptado de: Teatro Religioso. Disponivel em: http://members.fortunecity.com/rui_nuno_carvalho/religios.html . visitado em: 06/04/2012

Nenhum comentário:

Postar um comentário