Nesta
época de reflexão sobre os atos cristãos, cabe entendermos como a arte
proporciona uma aproximação e compreensão dos momentos vividos por Deus diante
da representação teatral. Neste contexto surge o teatro religioso que era
representado dentro das Igrejas, como os mistérios, os milagres e
as moralidades. Mas também existiam uns cânticos, as laudes que
não utilizavam o recinto dos templos.
Embora
estes gêneros de teatro fossem mais desenvolvidos do que os primeiros esboços
dos jograis, ainda se apoiavam muito mais na linguagem gestual do que na verbal
(salvo as moralidades) e, nos primeiros tempos, eram
representados por membros do clero que usavam como veículo de expressão o
latim. Os fiéis, se participavam, era como figurantes. Mas, pouco a pouco, a
situação foi-se modificando, os atores passaram a ser gente do povo, o local de
representação deixou de ser a igreja e a língua usada passou a ser a do país.
Vamos então ver em
consistia cada um destes gêneros:
AS LAUDES
Este gênero de teatro
religioso distingue-se de todos os outros por não ser inicialmente representado
num palco, mas sim nas ruas, caminhos e campos, por onde o povo e os frades
caminhavam. As laudes derivam
dos “tropos”: diálogos, cânticos e rituais que eram realizados alternadamente
entre o padre, o povo, e o coro nas missas nas Igrejas. Só que as laudes eram
feitas sob a forma de procissão (uma espécie dos atuais romeirinhos)
ou eram declamadas, dialogadas e recitadas em degraus, pórticos e outeiros. Os mistérios (também chamados dramas
litúrgicos)
Estas representações tinham como
tema principal as festividades religiosas descritas nas Sagradas Escrituras
(Bíblia). O Natal, a Paixão e a
Ressurreição, na Páscoa, eram alguns dos episódios mais frequentemente
representados.
OS MILAGRES
Estas
representações retratavam a vida dos servos de Deus (a Virgem, os Santos) e
nelas, por vezes, apareciam as pessoas a quem os Santos ajudavam. Mas não se ficavam só por aqueles que
eram citados nos Livros Sagrados, também podiam referir-se a personagens da
época, o que constituía grande interesse para o público. Com o decorrer do
tempo os milagres (ao
contrário dos mistérios e das moralidades)
não sofreram alterações e, quer o conteúdo, quer a forma de os representar
mantiveram a sua forma original, o que levou ao seu abandono progressivo.
AS MORALIDADES
As moralidades são
representações que se desenvolveram mais tarde do que os mistérios e os milagres.
Tal como estes, estavam repletas de ensinamentos cristãos, mas tinham um caráter
mais intelectual e, em vez de utilizar as personagens da Bíblia, serviam-se de
figuras que personificavam defeitos, virtudes, acontecimentos e ações. Eram personagens alegóricas como, por
exemplo, a Luxúria, a Avareza, a Guerra, o Trabalho, o Tempo, o Comércio, a
Esperança, etc. As moralidades tinham
sempre intenção didática, pretendiam transmitir lições morais e religiosas, e
até, por vezes, políticas. Por isso, mais do que a mímica e a movimentação,
mais do que o espetáculo que apela principalmente à vista, característico dos mistérios e milagres,
as palavras são o mais importante.
Adaptado de: Teatro Religioso. Disponivel em: http://members.fortunecity.com/rui_nuno_carvalho/religios.html . visitado em: 06/04/2012
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